Pesquisar este blog

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Encontros...

Hoje não quero falar de política ou da forma que associamos nossa vida a um processo de alienação na sociedade capitalista de nossa época, na qual individualizamos cada vez mais a forma de viver a vida, mas sim, quero falar sobre os maravilhosos encontros que traz para a vida, independente das relações objetivas, forças de superação, luta, fraternidade e esperança.


Segundo Vinicius de Moraes, "a vida e a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida". Penso nisso sempre, porque o encontro com... nossos pais, nossos filhos, nossos amigos, nossos sonhos,uma pessoa inesquecível, um lugar, um olhar, um afeto, um grande amor... não é por acaso... não é aleatório no espaço.

Existe energias que nos conduzem aos encontros nesta vida, que alguns chamam de Deus, outros de espíritos, outros de natureza, química, sinergia... Para mim, o que mais importa nisso tudo, é a valorização do momento, porque não adianta só conhecer, só encontrar, temos que perceber que isso é valoroso na nossa história.

E os desencontros, esses muitas vezes dolorosos, são a forma mais generosa (comparado a coisas trágicas) da ‘vida’ dizer... Cresça, pense, perdoe, ame, ajude, experiêncie a vida!!


Portanto, a meu ver, são os encontros e desencontros que nos dão, em certa medida, energia na luta. Lutar por nós mesmos, pelos outros, por uma causa, pelos sonhos materiais e imateriais, enfim, lutar pela vida.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Trabalho Docente ... intensificação e precarização nas universidades federais



A discussão sobre o trabalho docente, especialmente nas universidades públicas, tem subsidiado pesquisas importantes, como a de João dos Reis Silva Júnior e Valdemar Sguissardi (2009) que refletem sobre a intensificação e precarização das condições de trabalho e da própria produção do conhecimento de professores-pesquisadores das universidades públicas federais, especialmente lotados na pós-graduação stricto senso, fato também encontrado nos países latinos.
Sobre a produção do conhecimento e a natureza do trabalho docente a partir das produções teóricas anteriores à década de 1990, Pessanha (2001) identifica alguns elementos que começam a surgir no seio da classe docente, provenientes do período posterior a década de 1970. Contudo, ressalta que as condições precárias de trabalho e a intensificação do trabalho, seja voluntária ou forçada, são próprias do trabalho no capitalismo e, para o trabalho docente, esses elementos existem desde o início da profissionalização do trabalho do professor, apesar de ser em menor escala.
Monte (2010) trata que o trabalho docente é, portanto, diferenciado pela sua especificidade, e a principal característica diferenciadora dos demais tipos de trabalho é que este é um “trabalho intelectual”. E isso, segundo Pessanha (2001), implica um suposto status que o trabalho docente tinha, tanto pelo conhecimento científico, quando pela possibilidade de desenvolvê-lo, o que hoje, pouco notamos.
Mancebo (2007, p. 470-471) ao analisar a produção do conhecimento nos últimos 20 anos e organizá-las em torno de temas, destacou cinco mudanças diretas no trabalho docente superior:
1. Precarização do trabalho docente;
2. Intensificação do regime de trabalho;
3. Flexibilização do trabalho;
4. Descentralização gerencial;
5. Sistemas avaliativos.

Destes, a precarização do trabalho docente e a intensificação estão entre as temáticas mais recorrentes entre as pesquisas analisadas pela prof. Deise Mancebo, que caracteriza a precarização do trabalho “pelas baixas remunerações, pela desqualificação e fragmentação do trabalho docente, assim como pela perda do status que era atribuído, socialmente, aos docentes e pela crescente perda de controle do docente em relação ao seu trabalho” (MONTE, p. 56).
Neste cenário é possível destacar a relação de controle do Estado sobre a ação vital destes profissionais: a produção de conhecimento. Não há mais autonomia Universitária, mas o que joga peso no lugar ocupado pela instituição universitária é sua pauta de pesquisa. O que passa a vigorar como política de Estado independente do governo de plantão é a relação entre a corporação econômica, o governo e a executora universidade, geralmente privada.
Hoje o 'senhor' de todos os mandos na pesquisa, portanto na produção do conhecimento, são as fontes financiadoras, como CAPES e CNPq, que determinam as áreas de pesquisa, bem como a forma 'corporativista' de produção de conhecimento no âmbito das federais. 
O trabalho intelectual de docentes e estudantes, desde da avaliação da Capes na pós-graduação (1996/1997) estão mais pautados nos qualis de indicação, revelados pela concorrência das diversas páginas de um currículo lattes.
Esta reflexão ficou muito mais acentuada para mim, quando recebi um email esta semana do meu estimado professor João dos Reis silva Jr. que desabafou sobre estas condições tão recorrentes com professores e colegas de trabalho, e nos esclarece: “Meu entendimento do "publish or perich" consiste em que os professores/pesquisadores universitários que não publicassem de acordo com os parâmetros postos como ideais pelos órgãos financiadores, pela burocracia universitária ou pelo mercado, veriam sua carreira definhar e fenecer. Isto talvez esteja na origem da famosa frase do Prêmio Nobel de Física, Wolfgang Pauli: "Não me importo com seu pensamento lento. O que me importa é você publicar mais rápido do que pode pensar" (apud WATERS, 2006, p. 5). É o mesmo Waters que, por sua vez, denuncia: "Afirmo que há um elo causal entre a demanda corporativa pelo aumento da produtividade e o esvaziamento, em todas as publicações, de qualquer significação que não seja gerar números" (idem, p. 12). No caso brasileiro, esse fenômeno tem sido objeto de preocupação da crítica, nos anos 1970, não exatamente nos termos de hoje, mas em que se destacam elementos que se tornariam centrais na sua forma atual. Maurício Tragtenberg, no Seminário de Educação Brasileira, de 1978, na Unicamp, denunciava: "a política de ‘panelas’ acadêmicas de corredor universitário e a publicação a qualquer preço de um texto qualquer se constituem no metro para medir o sucesso universitário. Nesse universo não cabe uma simples pergunta: o conhecimento a quem e para que serve?" (TRAGTENBERG, 2010).” 

REFERÊNCIAS
MANCEBO, Deise. Agenda de pesquisa e opções teórico-metodológicas nas investigações sobre trabalho docente. Educação e Sociedade, Campinas, v. 28, n. 99, p. 466-482, maio/ago. 2007.
PESSANHA, Eurize Caldas. Ascensão e queda do professor. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2001.
BIANCHETTI, L.; SGUISSARDI, V.. (Orgs.). Dilemas da pós-graduação: gestão e avaliação. Campinas, SP: Autores Associados, 2009. 
TRAGTENBERG, M.. A delinquência acadêmica. In:A Delinqüência-acadêmica: o poder sem saber e o saber sem poder. São Paulo, Editora Rumo, 1979, p. 15-23. Republicado pela Rev. Eletrônica Ponto e Vírgula (PEPG de Ciências Sociais, PUC-SP), n. 5. < http://www.pucsp.br/ponto-e-virgula/n5/artigos/pdf/pv5-01-tragtenberg.pdf> Acesso em: 20/05/2010
WATERS, L.. Inimigos da esperança – publicar, perecer e o eclipse da erudição. São Paulo: Editora UNESP, 2006. 
SGUISSARDI, V.; SILVA JÚNIOR, J. R.. Trabalho intensificado nas federais – pós-graduação e produtivismo acadêmico. São Paulo: Xamã, 2009 (Ver em especial "Estado e as IFES", p. 42-50, e "Estado, pós-graduação e as IFES", p. 54-62).
MONTE, Emerson Duarte. Trabalho Docente na Educação a Distancia: a UFPA como expressão do fenômeno. UFPA/ICED/PPGED. Dissertação, 2010.