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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sísifo. Revista de Ciências da Educação - jun-ago.2010

Gente, o Instituto de Educação acaba de editar, em versão portuguesa e inglesa, o número 12 (doze) da Sísifo – Revista de Ciências da Educação, subordinado ao tema: Investigação em Ciências da Educação, o qual pode ser consultado no seguinte sítio web: http://sisifo.fpce.ul.pt/
No site voçês também podem encontrar a versão completa de edições anteriores (para download e/ou impressão).
Este último Dossiê Temático (Investigação em Ciências da Educação), conta com as seguintes produções:

Conferências:

Boa leitura!!!

Lu

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

MERCOSUL: Admissão de diplomas estrangeiros

Alguns alunos me pediram para comentar sobre a regulação no processo de validação dos diplonas internacionais, especialmente áqueles emitidos por nossos vizinhos, muito procurados nos últimos anos...
Segue a última atualização no assunto no âmbito da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES .
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Apenas estrangeiros que venham lecionar no Brasil terão o benefício da admissão de títulos e graus acadêmicos obtidos em países partes do MERCOSUL. Essa é uma das decisões da reunião do Conselho Mercado Comum (CMC), realizada em dezembro do ano passado, em
Montevidéu, Uruguai.

Durante o encontro, foi aprovada a Decisão 29/09, que aprova a regulamentação do Acordo de Admissão de Títulos e Graus Acadêmicos para o Exercício de Atividades Acadêmicas nos Estados Partes do MERCOSUL.
Com essa regulamentação, o acordo somente terá efeito para estrangeiros provenientes dos demais países do Bloco, que venham a lecionar no Brasil. Os brasileiros não poderão se valer desse acordo.
O artigo 2, denominado “Da Nacionalidade”, trata do tema e explica que “a admissão de títulos e graus acadêmicos, para os fins do Acordo, não se aplica aos nacionais do país onde sejam realizadas as atividades de docência e de pesquisa”.

Ainda sobre o assunto a Capes esclarece:
1. A Capes não é responsável pelo reconhecimento dos diplomas estrangeiros;

2. Para ter validade no Brasil, o diploma concedido por estudos realizados no exterior deve ser submetido ao reconhecimento por universidade brasileira que possua curso
de pós-graduação avaliado e reconhecido pela Capes
. O curso deve ser na mesma área do conhecimento e em nível de titulação equivalente ou superior (art. 48, da Lei de Diretrizes
e Bases da Educação);

3. Estudantes que se afastam do Brasil para cursarem mestrado ou doutorado no exterior com bolsas concedidas pela própria Capes e outras agências brasileiras também passam pelo mesmo processo de reconhecimento;

4. A Capes alerta, ainda, que tem sido ampla a divulgação de material publicitário por empresas captadoras de estudantes brasileiros para cursos de pós-graduação modulares ofertados em
períodos sucessivos de férias, e mesmo em fins de semana, nos Territórios dos demais Estados Parte do MERCOSUL. A despeito do que é sustentado pelas operadoras deste comércio, a validade no Brasil dos diplomas obtidos em tais cursos está condicionada ao reconhecimento, na forma do artigo 48, da LDB;

5. Com o Acordo de Admissão de Títulos e Graus Acadêmicos para o Exercício de Atividades Acadêmicas nos Estados Partes do MERCOSUL, aprovado em Montevidéu, Uruguai, apenas
estrangeiros que venham lecionar no Brasil terão o benefício da admissão de títulos e graus acadêmicos obtidos em países partes do MERCOSUL;

6. Especial cautela há de ser tomada pelos dirigentes de instituições públicas, não apenas no sentido de exigir o reconhecimento dos eventuais títulos apresentados por brasileiros,
mas, também de evitar o investimento de recursos públicos na autorização de servidores públicos para cursarem tais cursos quando verificado o potencial risco de não reconhecimento posterior do respectivo título;

7. A Capes entende que quem sustenta a validade automática no Brasil dos diplomas de pós-graduação obtidos nos demais países integrantes do MERCOSUL, despreza a Decisão 29/09, do CMC, o preceito dos artigos segundo e quinto do Acordo de Admissão de Títulos e Graus
Universitários para o Exercício de Atividades Acadêmicas nos Estados Partes do MERCOSUL promulgado pelo Decreto nº 5.518, de 2005 e a Orientação do MEC consubstanciada no Parecer CNE/CES nº 106, de 2007, praticando, portanto, PUBLICIDADE ENGANOSA.

Para mais informações acessem: http://www.capes.gov.br

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Pesquisa aponta melhorias para formação de professores da educação básica


Estudo coordenado pela professora Leda Scheibe da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) faz um panorama dos cursos de pedagogia no Brasil e mostra problemas na formação de professores no ensino básico. Para ela, uma das principais deficiências é "o aligeiramento dos cursos" que decorre da grande demanda de profissionais. Segundo a professora, a multiplicação dos cursos de ensino a distância é outro fator que não colabora. "Existem muitos EADs de pedagogia e eles nem sempre são de qualidade" aponta. Além disso, a ampliação da educação fundamental para nove anos de duração em 2006 acarretou em uma mudança no ensino. Para Scheibe, a instrução dos pedagogos precisa ser adequada à nova modalidade.

A falta de variedade nos assuntos curriculares é outro problema. Poucos cursos se dedicam ao aprofundamento de modalidades como o ensino de jovens e adultos (EJA) e a educação indígena. A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), criada em julho de 2004, tem se preocupado em incentivar a especialidade dos profissionais para lecionar em ambientes diversificados. Um exemplo são as universidades federais de Santa Catarina, Bahia, Ceará e Minas Gerais onde já existe licenciatura em educação do campo, direcionada para a realidade específica dos alunos da zona rural.

Ainda de acordo com a pesquisa, as grades curriculares dos cursos noturnos são as mesmas dos cursos diurnos. Leda Scheibe defende que o ensino nos dois turnos deve ser diferenciado: "Pouco se pode contar com a mesma disponibilidade de tempo e dedicação dos alunos da noite". Em geral, quem estuda nesse horário são pessoas já inseridas no mercado de trabalho, principalmente professores da educação infantil. Esses profissionais estão ocupados durante o dia e desejam complementar sua formação estudando à noite. A solução seria prolongar o tempo do curso noturno, para que a qualidade do ensino não se perca. Para a Scheibe, nos últimos anos existe uma atuação maior das universidades e de políticas públicas para melhorar a formação dos professores da educação básica. "Vemos um empenho dos cursos em discutir o currículo, mas ainda é incipiente" afirma. Para ela a eleição de Dilma Rousseff para presidente trará a continuidade de programas criados no governo Lula, como bolsas de licenciatura a exemplo do ProUni e Prodocência.

As análises da formação de professores fazem parte da pesquisa "Avaliação da implantação das novas diretrizes nacionais para os cursos de pedagogia" para um projeto financiado pela Unesco. Leda Scheibe é vice-presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação (ANPED) e será homenageada na próxima sexta-feira, 5 de novembro, com o prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 anos. Os resultados servem para avaliar as políticas educacionais brasileiras além de auxiliar o Conselho Nacional de Educação (CNE) no acompanhamento e revisão das diretrizes curriculares nacionais para os cursos de Pedagogia estabelecidos em 2006. Segundo a professora, muitos cursos ainda não se adequaram às novas regras, a maioria desses são de instituições privadas.

FONTE: Correio Braziliense, 01/11/2010 - Brasília DF

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Lançamento: Livro "Prolegômenos para uma ontologia do ser social" (György Lukács)


Após a publicação da primeira parte de sua Estética, em 1963, o filósofo húngaro György Lukács começou a trabalhar no ambicioso projeto de uma Ética que sintetizaria sua longa trajetória intelectual. Em suas investigações, porém, notou a “necessidade de uma elaboração prévia: a determinação histórico-concreta do modo de ser e de reproduzir-se do ser social”, como aponta José Paulo Netto, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esses esforços são concluídos em 1969 e publicados postumamente com o título de Para uma ontologia do ser social. Com o objetivo de explicar melhor alguns conceitos apresentados, no início dos anos 1970 Lukács passa a trabalhar no manuscrito do que seriam os Prolegômenos para uma ontologia do ser social: questões de princípios para uma ontologia hoje tornada possível, publicados também postumamente, em 1984, e agora traduzidos pela primeira vez para o português pela Boitempo Editorial.
Um dos pensadores marxistas mais importantes de todos os tempos, Lukács tinha como objetivo ao escrever sua Ontologia reexaminar passo a passo as categorias fundamentais do pensamento de Marx, “iniciando pela retomada das considerações marxianas acerca do trabalho como complexo central decisivo do ser social, passando pelo problema da reprodução, da ideologia, e culminando no tratamento da alienação”, como explicam Ester Vaisman, professora de filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais, e Ronaldo Vielmi Fortes, especialista na obra lukacsiana, responsáveis respectivamente pela supervisão editorial e pela revisão técnica da obra, além de autores da completa apresentação à edição brasileira.

Ainda segundo Vaisman e Fortes, o autor apresenta uma denúncia de que o caráter ontológico do pensamento de Marx ficou obscurecido “pela rigidez dogmática em que o marxismo se viu imerso desde a morte de Lenin, que rechaçava a discussão acerca da ontologia, qualificando-a de idealista e/ou simplesmente metafísica”. Ao contrário do que alguns detratores do marxismo costumam afirmar, Lukács buscava mostrar como não há em Marx um determinismo unívoco da esfera econômica sobre as outras instâncias da sociabilidade: “o cerne estruturador do pensamento econômico de Marx se funda na concepção da determinação recíproca das categorias que compõem o complexo do ser social”, como explicam os autores da apresentação. A base econômica constitui o momento preponderante, mas interage com uma série de superestruturas de forma dialética e recíproca.

Além de introduzir e contextualizar a Ontologia – também inédita em português e sendo preparada para publicação pela Boitempo – os Prolegômenos acrescentam a ela novas reflexões e abordagens, complementando-a. Partindo da premissa marxiana de que a realidade deve ser não somente analisada e compreendida mas principalmente transformada, ao redigir este material Lukács tinha nos ombros o peso de uma série de desilusões e derrotas da esquerda no período posterior à Revolução de 1917. Buscava partir de Marx para reformular as perspectivas revolucionárias de então, apontando respostas aos impactos que o stalinismo causara no projeto comunista. Certamente aqueles que ainda se preocupam com uma atuação social transformadora não podem deixar de analisar esta importante contribuição para o pensamento revolucionário.
Segundo Nicolas Tertulian, professor da École de Hautes Études en Sciences Sociales, a obra “tem o valor de um testamento por constituir o último grande texto filosófico de Lukács. Concebida como uma introdução ao texto principal da Ontologia, representa, de fato, uma vasta conclusão”.

Trecho da obra
Nossas considerações visam determinar principalmente a essência e a especificidade do ser social. Mas, para formular de modo sensato essa questão, ainda que apenas de maneira aproximativa, não se devem ignorar os problemas gerais do ser, ou, melhor dizendo, a conexão e a diferenciação dos três grandes tipos de ser (as naturezas inorgânica e orgânica e a sociedade). Sem compreender essa conexão e sua dinâmica, não se pode formular corretamente nenhuma das questões autenticamente ontológicas do ser social, muito menos conduzi-las a uma solução que corresponda à constituição desse ser. Não precisamos de conhecimentos eruditos para ter a certeza de que o ser humano pertence direta e – em última análise – irrevogavelmente também à esfera do ser biológico, que sua existência – sua gênese, transcurso e fim dessa existência – se funda ampla e decididamente nesse tipo de ser, e de que também tem de ser considerado como imediatamente evidente que não apenas os modos do ser determinados pela biologia, em todas as suas manifestações de vida, tanto interna como externamente, pressupõem, em última análise, de forma incessante, uma coexistência com a natureza inorgânica, mas também que, sem uma interação ininterrupta com essa esfera, seria ontologicamente impossível, não poderia de modo algum desenvolver-se interna e externamente como ser social.
Sobre o autor
Nascido em 13 de abril de 1885 em Budapeste, Hungria, György Lukács é um dos mais influentes filósofos marxistas do século XX. Doutorou-se em Ciências Jurídicas e depois em Filosofia pela Universidade de Budapeste. No final de 1918, influenciado por Béla Kun, aderiu ao Partido Comunista e no ano seguinte foi designado Vice-Comissário do Povo para a Cultura e a Educação. Em 1930 mudou-se para Moscou, onde desenvolveu intensa atividade intelectual. O ano de 1945 foi marcado pelo retorno à Hungria, quando assumiu a cátedra de Estética e Filosofia da Cultura na Universidade de Budapeste. Estética, considerada sua obra mais completa, foi publicada em 1963 pela editora Luchterhand. Já seus estudos sobre a noção de ontologia em Marx, que resultariam oito anos depois na Ontologia do ser social, iniciaram-se em 1960. Faleceu em sua cidade natal, em 4 de junho de 1971.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Rede Estrado...

Em agosto aconteceu em Lima no Perú a VIII Reunião da REDESTRADO, "Educação e Trabalho Decente no novo cenário latino-americano. Entre a democratização e a mercantilização do conhecimento", algo discutido no âmbito desta rede de investigadores latinoamericanos há 10 anos.


O mais legal desta rede que vocês podem se cadastrar no site da redeestrado.org, e receber os artigos e as notícias sobre contexto social, políticas públicas internacionais e trabalho docente, entre outros, pois o compromisso desta comunidade é com "a educação pública popular, democrática e emancipatória capaz de contribuir para a construção de mais igualitária e participativa, testemunhando um momento histórico complexo no qual gravamos fortes continuidades, mas também romper com o modelo neoliberal que orientou as políticas das últimas décadas." Assim, percebe-se que vários processos políticos em diversos países na região optaram por reconstruir o espaço público a partir de uma maior intervenção estatal e fortalecer o processo de integração na América Latina, essa é uma luta possível!


Para pensar em liberdade, temos que ter práticas libertadoras!

Desculpe-me a ausência...

Estive por um tempo preparando minha cabeça e meu coração para mudanças...

Mudanças que nos levam como a lagarta no casulo, a transcender para o íntimo e perceber nossas fraquezas e nossas metas... é possível mudar sempre e isso é maravilhoso!!
Retomo decisões, posturas e caminhos, não mais traçados como antes, mas com novas curvas e ladeiras...

Espero trazer novidades, e conversar um pouco mais sobre o que se passa não só nas ações políticas de governo, mas, sobretudo, nas nossas cabeças... minha e sua...


Abraços fraternos

Luciana

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Encontros...

Hoje não quero falar de política ou da forma que associamos nossa vida a um processo de alienação na sociedade capitalista de nossa época, na qual individualizamos cada vez mais a forma de viver a vida, mas sim, quero falar sobre os maravilhosos encontros que traz para a vida, independente das relações objetivas, forças de superação, luta, fraternidade e esperança.


Segundo Vinicius de Moraes, "a vida e a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida". Penso nisso sempre, porque o encontro com... nossos pais, nossos filhos, nossos amigos, nossos sonhos,uma pessoa inesquecível, um lugar, um olhar, um afeto, um grande amor... não é por acaso... não é aleatório no espaço.

Existe energias que nos conduzem aos encontros nesta vida, que alguns chamam de Deus, outros de espíritos, outros de natureza, química, sinergia... Para mim, o que mais importa nisso tudo, é a valorização do momento, porque não adianta só conhecer, só encontrar, temos que perceber que isso é valoroso na nossa história.

E os desencontros, esses muitas vezes dolorosos, são a forma mais generosa (comparado a coisas trágicas) da ‘vida’ dizer... Cresça, pense, perdoe, ame, ajude, experiêncie a vida!!


Portanto, a meu ver, são os encontros e desencontros que nos dão, em certa medida, energia na luta. Lutar por nós mesmos, pelos outros, por uma causa, pelos sonhos materiais e imateriais, enfim, lutar pela vida.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Trabalho Docente ... intensificação e precarização nas universidades federais



A discussão sobre o trabalho docente, especialmente nas universidades públicas, tem subsidiado pesquisas importantes, como a de João dos Reis Silva Júnior e Valdemar Sguissardi (2009) que refletem sobre a intensificação e precarização das condições de trabalho e da própria produção do conhecimento de professores-pesquisadores das universidades públicas federais, especialmente lotados na pós-graduação stricto senso, fato também encontrado nos países latinos.
Sobre a produção do conhecimento e a natureza do trabalho docente a partir das produções teóricas anteriores à década de 1990, Pessanha (2001) identifica alguns elementos que começam a surgir no seio da classe docente, provenientes do período posterior a década de 1970. Contudo, ressalta que as condições precárias de trabalho e a intensificação do trabalho, seja voluntária ou forçada, são próprias do trabalho no capitalismo e, para o trabalho docente, esses elementos existem desde o início da profissionalização do trabalho do professor, apesar de ser em menor escala.
Monte (2010) trata que o trabalho docente é, portanto, diferenciado pela sua especificidade, e a principal característica diferenciadora dos demais tipos de trabalho é que este é um “trabalho intelectual”. E isso, segundo Pessanha (2001), implica um suposto status que o trabalho docente tinha, tanto pelo conhecimento científico, quando pela possibilidade de desenvolvê-lo, o que hoje, pouco notamos.
Mancebo (2007, p. 470-471) ao analisar a produção do conhecimento nos últimos 20 anos e organizá-las em torno de temas, destacou cinco mudanças diretas no trabalho docente superior:
1. Precarização do trabalho docente;
2. Intensificação do regime de trabalho;
3. Flexibilização do trabalho;
4. Descentralização gerencial;
5. Sistemas avaliativos.

Destes, a precarização do trabalho docente e a intensificação estão entre as temáticas mais recorrentes entre as pesquisas analisadas pela prof. Deise Mancebo, que caracteriza a precarização do trabalho “pelas baixas remunerações, pela desqualificação e fragmentação do trabalho docente, assim como pela perda do status que era atribuído, socialmente, aos docentes e pela crescente perda de controle do docente em relação ao seu trabalho” (MONTE, p. 56).
Neste cenário é possível destacar a relação de controle do Estado sobre a ação vital destes profissionais: a produção de conhecimento. Não há mais autonomia Universitária, mas o que joga peso no lugar ocupado pela instituição universitária é sua pauta de pesquisa. O que passa a vigorar como política de Estado independente do governo de plantão é a relação entre a corporação econômica, o governo e a executora universidade, geralmente privada.
Hoje o 'senhor' de todos os mandos na pesquisa, portanto na produção do conhecimento, são as fontes financiadoras, como CAPES e CNPq, que determinam as áreas de pesquisa, bem como a forma 'corporativista' de produção de conhecimento no âmbito das federais. 
O trabalho intelectual de docentes e estudantes, desde da avaliação da Capes na pós-graduação (1996/1997) estão mais pautados nos qualis de indicação, revelados pela concorrência das diversas páginas de um currículo lattes.
Esta reflexão ficou muito mais acentuada para mim, quando recebi um email esta semana do meu estimado professor João dos Reis silva Jr. que desabafou sobre estas condições tão recorrentes com professores e colegas de trabalho, e nos esclarece: “Meu entendimento do "publish or perich" consiste em que os professores/pesquisadores universitários que não publicassem de acordo com os parâmetros postos como ideais pelos órgãos financiadores, pela burocracia universitária ou pelo mercado, veriam sua carreira definhar e fenecer. Isto talvez esteja na origem da famosa frase do Prêmio Nobel de Física, Wolfgang Pauli: "Não me importo com seu pensamento lento. O que me importa é você publicar mais rápido do que pode pensar" (apud WATERS, 2006, p. 5). É o mesmo Waters que, por sua vez, denuncia: "Afirmo que há um elo causal entre a demanda corporativa pelo aumento da produtividade e o esvaziamento, em todas as publicações, de qualquer significação que não seja gerar números" (idem, p. 12). No caso brasileiro, esse fenômeno tem sido objeto de preocupação da crítica, nos anos 1970, não exatamente nos termos de hoje, mas em que se destacam elementos que se tornariam centrais na sua forma atual. Maurício Tragtenberg, no Seminário de Educação Brasileira, de 1978, na Unicamp, denunciava: "a política de ‘panelas’ acadêmicas de corredor universitário e a publicação a qualquer preço de um texto qualquer se constituem no metro para medir o sucesso universitário. Nesse universo não cabe uma simples pergunta: o conhecimento a quem e para que serve?" (TRAGTENBERG, 2010).” 

REFERÊNCIAS
MANCEBO, Deise. Agenda de pesquisa e opções teórico-metodológicas nas investigações sobre trabalho docente. Educação e Sociedade, Campinas, v. 28, n. 99, p. 466-482, maio/ago. 2007.
PESSANHA, Eurize Caldas. Ascensão e queda do professor. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2001.
BIANCHETTI, L.; SGUISSARDI, V.. (Orgs.). Dilemas da pós-graduação: gestão e avaliação. Campinas, SP: Autores Associados, 2009. 
TRAGTENBERG, M.. A delinquência acadêmica. In:A Delinqüência-acadêmica: o poder sem saber e o saber sem poder. São Paulo, Editora Rumo, 1979, p. 15-23. Republicado pela Rev. Eletrônica Ponto e Vírgula (PEPG de Ciências Sociais, PUC-SP), n. 5. < http://www.pucsp.br/ponto-e-virgula/n5/artigos/pdf/pv5-01-tragtenberg.pdf> Acesso em: 20/05/2010
WATERS, L.. Inimigos da esperança – publicar, perecer e o eclipse da erudição. São Paulo: Editora UNESP, 2006. 
SGUISSARDI, V.; SILVA JÚNIOR, J. R.. Trabalho intensificado nas federais – pós-graduação e produtivismo acadêmico. São Paulo: Xamã, 2009 (Ver em especial "Estado e as IFES", p. 42-50, e "Estado, pós-graduação e as IFES", p. 54-62).
MONTE, Emerson Duarte. Trabalho Docente na Educação a Distancia: a UFPA como expressão do fenômeno. UFPA/ICED/PPGED. Dissertação, 2010.  

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Dica de Leitura

O poeta José Ribamar Ferreira, nascido a 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luís do Maranhão, fica marcado na história do Brasil como Ferreira Gullar.

Uma das suas importantes publicações completa, neste ano, 30 anos de existência, com diversas edições publicadas. Trata-se de "Toda Poesia", obra em que o autor reúne diversos poemas e poesias dos seus últimos 30 anos, a época da publicação da primeira edição em 1980. Hoje a obra apresenta-se organizando os últimos 70 anos de trabalhos realizados pelo autor.

O lirismo trágico e subversivo de Ferreira Gullar é um pequeno mundo dos problemas mais candentes da beleza poética que estamos vivendo e de que esse grande poeta é uma das vozes mais autênticas. Há na sua poesia uma riqueza de Brasil, de coisas nossas, de gente e paisagem nossas, que lhe dão a marca local, nacional e, portanto, universal.

Fica a referência da obra desse importante literata brasileiro que tem a sua história marcada pela luta e combate contra os períodos ditatoriais e de opressão à classe trabalhadora.

Referência: GULLAR, Ferreira. Toda poesia: projeto 70 anos. 14. ed. São Paulo: José Olympio, 2004. Preço da Editora: R$ 53,00.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Domínio Público

Temos uma poderosa biblioteca pública, criada pelo Ministério da Educação chamada de "Domínio Público".

 Criada em novembro de 2004, com cerca de 500 obras, hoje apresenta mais de 160 mil mídias, entre som, imagem, texto e vídeo.

 De fácil acesso e auto-descrição, encontramos clássicos, como a "A Divina Comédia" de Dante Alighieri, obras clássicas da Literatura brasileira, como Machado de Assis, e da Ciencia Política como Karl Marx, León Trotsky, às mais diversas áreas do conhecimento. Acesse: http://www.dominiopublico.gov.br/.


Vale apena interarir com esta ferramenta!!



Dados sobre a mídia disponível:





domingo, 9 de maio de 2010

Nossa Mãe protetora...


No Brasil, comemora-se no dia de hoje importante celebração: é o Dia das Mães. Data em que, nos diversos lares e lugarejos, as atenções voltam-se para a mais importante figura da composição familiar. As mães são homenageadas de todas as formas, presencialmente ou a distância, seja por carta, por e-mail, por um telefonema rápido e embevecido, ou ainda por uma delicada missiva.

O que se vê por detrás desses elementos constitutivos das adorações realizadas nesse dia é o reconhecimento, infinito, de que somos gratos, penhorados por todos as atenções e cuidados que nos foram empregrados nos diversos anos de nossa vida por nossas Mães e que, certamente, sustentam-se até os últimos minutos de suas vidas na Terra. Não há como não amá-las por isso.

A origem dessa data ou de um dia em comemoração às Mães, remonta ao período Grego. Na Grécia Antiga, ao adentrar a primavera, as horas à deusa Reia (esposa de Cronos e Mãe dos Deuses) faziam parte das comemorações do período. Neste dia, os gregos faziam ofertas, oferecendo presentes, além de prestarem homenagens à deusa.

No período medievo, por volta do século 17, a Inglaterra celebrava no 4º Domingo de Quaresma (40 dias antes da Páscoa) um dia chamado “Domingo da Mãe”, que pretendia homenagear todas as mães inglesas. Neste período, a maior parte da classe baixa inglesa trabalhava longe de casa e vivia com os seus senhores. No Domingo da Mãe, os servos tinham um dia de folga e eram encorajados a regressar a casa e passar esse dia com a sua mãe.

Com a propagação do cristianismo pela europa, inicialmente, uma comemoração da igraja católica passou a ser realizada, e o catolicismo denominado de "Igreja Mãe". Ao longo dos anos seguintes, houve uma fusão entre as comemorações do Domingo da Mãe e da Igreja Mãe, tornando-se uma data única.

Nos Estados Unidos da América a comemoração de um dia dedicado às Mães foi sugerida pela primeira vez em 1872 por Julia Ward Howe e algumas apoiantes, que se uniram contra a crueldade da guerra e lutavam, principalmente, por um dia dedicado à paz.

Todavia, o fato que melhor expressa o intuito da celebração de um Dia das Mães no mundo ocidental é creditado à Anna Jarvis, que em 1904, quando a sua mãe faleceu, chamou a atenção na igreja de Grafton para um dia especialmente dedicado a todas as mães. Três anos depois, a 10 de maio de 1907, foi celebrado o primeiro Dia da Mãe, na igreja de Grafton, reunindo praticamente família e amigos. Nessa ocasião, a S.ª Jarvis enviou para a igreja 500 cravos brancos, que deviam ser usados por todos, e que simbolizavam as virtudes da maternidade. Ao longo dos anos enviou mais de 10.000 cravos para a igreja de Grafton – encarnados para as mães ainda vivas e brancos para as já desaparecidas – e que são hoje considerados mundialmente com símbolos de pureza, força e resistência das Mães.

Segundo Anna Jarvis seria objetivo deste dia tomarmos novas medidas para um pensamento mais ativo sobre as nossas mães. Através de palavras, presentes, atos de afeto e de todas as maneiras possíveis deveríamos proporcionar-lhe prazer e trazer felicidade ao seu coração todos os dias, mantendo sempre na lembrança o Dia da Mãe. Com a sua campanha vitoriosa em 1914, o Presidente Woodrow Wilson declarou oficialmente e a nível nacional o 2º Domingo de Maio como o Dia da Mãe.

O sonho foi realizado, mas, ironicamente, o Dia das Mães se tornou uma data triste para Anna Jarvis. A popularidade do feriado fez com que a data se tornasse uma dia lucrativo para os comerciantes, principalmente para os que vendiam cravos brancos, flor que simboliza a maternidade. "Não criei o dia das mães para ter lucro", disse furiosa a um repórter, em 1923. Neste mesmo ano, ela entrou com um processo para cancelar o Dia das Mães, sem sucesso.

Anna passou praticamente toda a vida lutando para que as pessoas reconhecessem a importância das mães. Na maioria das ocasiões, utilizava o próprio dinheiro para levar a causa a diante. Dizia que as pessoas não agradecem frequentemente o amor que recebem de suas mães. "O amor de uma mãe é diariamente novo", afirmou certa vez. Anna morreu em 1948, aos 84 anos. Recebeu cartões comemorativos vindos do mundo todos, por anos seguidos, mas nunca chegou a ser mãe.
A data foi trazida para o Brasil pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, que no dia 12 de maio de 1918 celebrou o primeiro Dia das Mães. Em 1932, o presidente Getúlio Vargas oficializou a data no 2º domingo de maio.

Hoje o que vemos é o retorno, se é que isso acabou desde à época de Anna Jarvis, ao consumismo no Dia das Mães. Uma data que se incentiva pela oportunidade da movimentação de mercadorias e consequente aumentos de lucros pelo capital. O carinho às Mães resume-se no presente oferecido nesta data, sem generalizações. É preciso, novamente, combater isso, em um país que 17,2% das Mães criam seus filhos sozinhas (IBGE), a atenção à maternidade deve ser zelada todos os dias do ano.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Encomodada...



Vocês já sentiram o incômodo em viver neste mundo desigual?




Embora a desigualdade esteja no bojo das relações de poder e de classe, subjugada a relação social do homem desde a antiguidade, a realidade de desigualdade (atrelada à exclusão) em nossa sociedade está cada vez mais acirrada, pra não dizer mais absurda.

A desigualdade está em todo lugar na sociedade capitalista: nas disparidades econômicas e sociais; na falta de acesso a moradia com as mínimas condições de higiene e segurança; na precariedade do serviço de saúde com falta de médicos, medicamentos e atendimento de urgência; a verdadeira educação de qualidade, a qual garanta ao cidadão não somente os conhecimentos curriculares elementares, mas, sobretudo, a construção de um espaço de educação de homens e mulheres críticos.

Mais o que mais me incomoda é a forma tranqüila, apaziguadora e conformista que lidamos com as desigualdades, com a exclusão e com a mais variadas formas de violência (mesmo quando somos nós os atingidos), ainda assim, lidamos com benevolência... dizendo... "nada vai mudar!" .. "o Brasil não tem jeito!" ... "Deus nos deu isso, ou esta situação, não podemos fazer nada!"

Todos esses pensamos medievais e culturalmente manipulados para nos conformar com quem tem muito, com quem rouba o cidadão e com quem não faz nada quando nos representa (político), faz-me refletir... Até quando eles vão conseguir nos deixar inerte???

A Dica de Leitura


A linguagem do império
léxico da ideologia estadunidense
Domenico Losurdo
"No plano estratégico, a fraqueza dos Estados Unidos emerge de alguns dados elementares: com 5% da população mundial e 20% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, eles representam 50% das despesas militares do planeta! A longo prazo esta situação é insustentável, sobretudo se se leva em conta que o percentual estadunidense do PIB mundial tende a diminuir, enquanto continua a crescer a dívida pública. A avaliação é do filósofo italiano Domenico Losurdo que, em entrevista exclusiva à Carta Maior, analisa a situação da maior potência do planeta e a possibilidade do surgimento de uma alternativa à atual hegemonia norte-americana." (Emir Sader Agência, Carta Maior - 5 de maio de 2010)
Referência: LOSURDO, Domênico. A linguagem do império: léxico da ideologia estadunidense. São Paulo: Boitempo, 2010
Preço da Editora: R$ 49,00